Job #3: A Copa que poderia ter sido

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No primeiro exercício, trabalhamos com a definição de hipóteses. No segundo, com análise de comunicação. Em ambos os casos, são coisas que, no pensamento estratégico costumar estar do lado do problema: quando a gente para pra entender o que está acontecendo e definir qual é o pepino que queremos enfrentar. Dessa vez, vamos trabalhar com a solução. Mais especificamente, com a definição de um posicionamento e um conceito. E o assunto, amigos, é o que a gente devia ter feito para a Copa.

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Esse exercício foi inspirado por um post do Ricardo Freire no Viaje na Viagem.

(Pra quem não conhece, o cara foi publicitário — um criativo que era assim… uma Brastemp. Ele largou essa vida pra escrever sobre viajar, a paixão da vida dele.)

Nesse post, faz uma análise muito lúcida sobre a Copa do Mundo. Mais do que isso, lá no meio, faz uma definição precisa sobre o problema da “marca” Brasil e o evento. Nas palavras dele:

5 | Copa e Olimpíada são ações de marketing

Em algum momento o governo vendeu à opinião pública a idéia de que a Copa é um evento com “função social”, que serviria para melhorar imediatamente a vida do povo brasileiro. Não é. As obras feitas para a Copa é que poderiam beneficiar imediatamente o povo brasileiro, caso tivessem sido feitas com competência (…). Mas o evento Copa do Mundo se justifica como promoção comercial do Brasil.

Mais: a seqüência Copa do Mundo-Olimpíada (…) configura o mais espetacular plano de mídia já comprado por um país emergente desde o México de 68-70 (…). Num espaço de dois anos, o Brasil vai estar dois meses inteiros na tela das TVs do mundo inteiro. Um evento reforçará o outro. Nunca antes na história deste país houve uma oportunidade como esta para conquistar corações, mentes e bolsos em escala mundial.

Os elefantes brancos padrão Fifa da Copa, as obras mequetrefes do Pan e todas as roubalheiras federais, estaduais e municipais, de todos os partidos, são o preço a pagar por essa mídia que poucos já conseguiram “comprar” (e cujo preço é impossível estimar).

Precisamos dessa mídia? Durante 60 dias, e com muitos repiques ao longo de dois anos, o Brasil será posto no mapa de bilhões de pessoas que conhecem pouco ou nada de nós. (Não ache que o Brasil seja conhecido pelo que sai no noticiário de economia dos jornais. Este público é uma fração muito pequena dos nossos clientes potenciais.)

Para um país cujas marcas e hábitos culturais são absolutamente desconhecidos, e cujo turismo internacional é pífio e está muitíssimo aquém das possibilidades, esta é uma oportunidade espetacular. Até o momento, porém, não parece haver nenhum plano para aproveitar a ocasião de maneira mais efetiva.

6 | Compramos a mídia, mas esquecemos de fazer a campanha

Todos os anfitriões das últimas Copas e Olimpíadas se prepararam para mostrar ao mundo uma nova imagem de seus países e cidades. A Alemanha estendeu o tapete vermelho e se preocupou em ganhar o campeonato da hospitalidade, tornando-se um país mais quente e amigável aos olhos dos visitantes. A China usou a Olimpíada de Pequim para se posicionar como nova potência mundial. A Africa do Sul fez da sua Copa a vitrine de um país reunificado consigo mesmo. A Olimpíada de Londres foi usada como gancho para uma campanha de rejuvenescimento da imagem do Reino Unido, de olho em fazer crescer o turismo no país como um todo.

O Brasil chega às vésperas da sua Copa mais focado em montar um plano para conter manifestações de rua do que em pôr em prática um plano para promover o país de forma consistente antes, durante e depois da Copa. Vamos ocupar nosso espaço de mídia não com uma campanha publicitária, mas com um reality show. Não acho que isso vá ser catastrófico, não — o cenário é bonito, o elenco é animado e o saldo do que apresentaremos será positivo. Mas que poderíamos ter aproveitado a chance muito melhor, ah, poderíamos.

O Brasil não teve competência para fazer sequer um site de destino próprio. Alguma mente brilhante na Embratur teve a idéia de terceirizar o trabalho para o TripAdvisor — e hoje o site de turismo do Brasil é um mashup histérico e bagunçado de resenhas de viajantes, fotos do Instagram e vídeos do Youtube. Aquilo que seria um ótimo apêndice 2.0 a um guia de verdade virou o conteúdo principal do site. Em vez de organizar o conteúdo esparso disponível na internet — que deveria ser a função de um site oficial de destino — o Visit Brasil [com s!] amplifica o caos informativo do TripAdvisor. Neste momento, por exemplo, a terceira principal atração turística do Brasil, classificada pelo TripAdvisor e sancionada pela Embratur, é um certo Shambhala Asian Day Spa, no Rio de Janeiro.)

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Imagine que nós estamos no final de 2013. De repente, alguma boa alma na Embratur acordou e decidiu aproveitar a oportunidade para mudar o status no turismo brasileiro no cenário global. E imagine que eles definiram o problema do mesmo jeito que o Ricardo Freire:
- No Brasil, o turismo aproveita uma parcela muito pequena de todo o seu potencial.
- A grande maioria dos turistas globais conhece o Brasil de maneira muito superficial (que dá no mesmo que não conhecer).
- A Copa do Mundo é uma enorme oportunidade de mostrar o Brasil para uma parcela enorme dessas pessoas.

Imagine que a sua agência foi convidada para uma concorrência para desenvolver a estratégia de comunicação do Turismo Brasileiro durante a Copa. Em até 10 slides, você precisa entregar:
- Um posicionamento para o turismo do Brasil
- Um texto curto que ajude a entender como essa ideia pode ser transmitida
- Uma argumentação sobre porque essa é a melhor ideia para resolver o problema.

O diagnóstico já foi dado. O problema está definido. O que vocês precisam mostrar é a solução — ou pelo menos o começo dela. Algo que possa servir de base e inspirar uma série enorme de ações — desde uma campanha publicitária em si, ativações durante o evento e até mesmo a festa de abertura da Copa. Mas todas essas ideias virão no momento 2, depois de definida essa estratégia.

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O prazo para a entrega dos trabalhos é dia 6 de maio. Nos próximos dias vamos divulgar júri e também algumas dicas para o desenvolvimento do trabalho. Por isso, aproveite a caixa de comentários para mandar perguntas, dúvidas, conflitos e afins. Afinal, se o turismo brasileiro não aproveitou a oportunidade, vamos nós aproveitar e pensar como poderia ter sido. Bom trabalho.

Job #2 – Feedback Geral

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Passou o carnaval, começou o ano e o primeiro feedback da APSotW em 2014 está no ar. Depois de lermos tudo, fazermos os feedbacks individuais [que já estão chegando] e trocarmos figurinhas, chegou a hora de todo mundo tirar aprendizados do trabalho de todo mundo.

Lembrando que esse era um exercício para treinar análise, vamos discutir aqui um pouco onde o bicho mais pegou.

 

1. DESCRIÇÃO NÃO É ANÁLISE, É SÓ PARTE DELA

Segundo o Houaiss, análise é um “exame, processo ou método com que se descreve, caracteriza e compreende algo (um texto, uma obra de arte etc.), para proporcionar uma avaliação crítica do mesmo”. Essa é uma excelente definição de análise, porque ela nos revela tanto o processo quanto a finalidade de uma análise.

O processo: descrever, caracterizar e compreender.
A finalidade: uma avaliação crítica do objeto analisado.

Isso significa que ao longo do preparo de uma análise devemos fazer sim uma descrição do que vemos, uma caracterização do que percebemos, para ter uma compreensão, um entendimento daquilo que estamos estudando. E isso é o que foi feito na grande maioria dos trabalhos.

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Mas a descrição é só um pedaço do processo de análise e não a sua finalidade. Toda a ideia da análise é produzir um pensamento crítico e interessante sobre o que está sendo estudado. Algo que está por trás do que os olhos estão vendo, uma intenção, um aprendizado, qualquer coisa que faça as pessoas compreenderem de uma forma mais profunda aquele objeto ou, no nosso caso, os filmes do Super Bowl.

Algo fundamental para qualquer análise é o uso do contexto em que o objeto está inserido. Não podemos analisar algo apenas em si, mas sim considerar contextos diversos que ajudam a explicar aquele fato. Pode ser o comportamento do target, uma circunstância de mercado, uma característica do segmento ou qualquer outra coisa relevante. Isso amplia o nosso olhar e enriquece demais o trabalho de análise.

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2. CADÊ A ESTRATÉGIA?

Um pedido específico do briefing era entender as estratégias por trás dos filmes. E o próprio título que sugerimos para o trabalho revela a dificuldade de fazer isso. Estratégia é realmente um treco invisível, que está por trás de tudo o que estamos vendo, mas nem sempre é perceptível a olhos menos treinados.

E um erro muito comum nos trabalhos que lemos foi confundir o efeito que a peça provocou com a estratégia que estava por trás dela. Explico.

Foi muito comum lermos análises de como a peça provocava emoções fortes, criava identificação, despertava isso ou aquilo. Normalmente o pessoal estava certo: as peças realmente tinham esses efeitos. E passar pela compreensão desses efeitos faz parte do processo, como eu disse no ponto anterior.

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MAS, uma análise que se propõe a entender estratégias não pode parar por aí. Estratégia tem a ver com negócio, com ponteiros de marca que vão mexer, com objetivos bem específicos. E isso acabou ficando muito em segundo plano, em favor de análises mais subjetivas sobre a mensagem e o seu efeito na mensagem. A execução serve ao propósito da estratégia e era mais nesse ponto que a análise ficaria mais certeira.

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3. AS ARMADILHAS DA CREDIBILIDADE E DO SOFISMA INVOLUNTÁRIO

Análise é em grande parte um exercício de interpretação. Como estamos olhando muitas vezes para algo que não temos muitas informações a respeito, é necessário que coloquemos uma grande dose da nossa opinião ali. E não tem nada de errado com isso. Pelo contrário: é para fazer mesmo, sem medo de ser feliz.

Só que existe uma grande armadilha em qualquer trabalho que envolve opinião: a potencial perda de credibilidade em um ponto de vista pouco embasado. Um erro muito comum é nos depararmos com afirmações que se confundem entre fato e opinião sobre o fato. E o erro está em não deixar absolutamente clara a distinção entre os dois. Se é fato, precisa de embasamento e, de preferência, com fonte. Se é opinião, isso precisa ficar claro.

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No exemplo acima fica fácil perceber a diferença. A pessoa que escreveu muito provavelmente não trabalha com RadioShack e não tem acesso a nenhuma pesquisa que afirme que a percepção das pessoas é que as lojas são desorganizadas e desatualizadas. Ao inferir isso sem nenhum tipo de evidência além do que foi visto no comercial, corre-se o risco de um arranhão na credibilidade. Se o analista afirma isso com tanta clareza, como confiar em todo o resto que ele está dizendo?

Outro erro comum é levar o leitor/espectador a chegar em conclusões falsas a partir de premissas verdadeiras, ou o contrário. O clássico sofisma. Ao traçar uma linha de raciocínio, não podemos forçar a barra para chegarmos onde queremos. Se tudo não fizer um sentido claro, fica aquela sensação de “huuuum, sei não”, que é péssima para qualquer um que tenta passar uma mensagem.

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Falar que as marcas estão tentando se posicionar na cabeça do americano durante o Super Bowl, ok, consigo aceitar essa premissa. Agora, concluir a partir dessa única informação que em 2014 todo mundo tentou se posicionar com a imagem que já tem nos EUA é um salto enorme de raciocínio. Pode ser que seja isso, pode ser que não. O fato é que só com a premissa apresentada, não fica de pé.

E com  certeza isso não foi intencional, para enganar ninguém. Foi involuntário, porque na cabeça dele fazia todo o sentido. Por ser involuntário é que temos que tomar mais cuidado ainda. A dica é testar e retestar suas linhas de raciocínio para não cair nessa armadilha.

 

4. SEM HISTÓRIA NÃO VALE A PENA

Por último, mas de nenhuma forma menos importante, queremos falar um pouco sobre storytelling. Mas não por todo o hype que envolve o assunto. Isso não interessa. O que interessa para a gente aqui é uma questão mais prática. Análises costumam ser coisas pesadas: muito material, muita informação, pouco tempo. Tudo isso faz com que tenhamos que nos esforçar ao máximo para levar a informação a nossa audiência de uma maneira leve, organizada e interessante, que prenda a atenção dela durante todo o percurso.

A realidade é que não nos deparamos com esse tipo de preocupação na grande maioria dos trabalhos. Muitos deles começaram secos, já analisando o primeiro comercial, sem nem falar sobre o que seria aquela apresentação. Outros até tiveram essa preocupação de introduzir o assunto, mas acabaram fazendo escolhas como “as melhores estratégias”. Esse é o tipo de coisa que não ajuda a construir uma boa história.

Em raras exceções, vimos algum trabalho que criou um ponto de vista no começo e ajudou as pessoas a se guiarem por meio dele até o final.

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Claro que toda vez que a gente escolhe um viés específico para organizar um material extenso, corremos o risco de sermos simplistas. Mas, o risco de ser chato acaba sendo ainda pior. Uma audiência desinteressada não vai absorver nada do que queremos falar.

A dica é: na hora de colocar sua análise no papel, pense se você está contando uma história com começo, meio e fim ou se você está apenas organizando as informações e colocando uma trás da outras. Na dúvida, invista em uma história, vai fazer toda a diferença.

 

Bom, galera, em nome do júri, digo que foi um prazer ler o trabalho de vocês e trampar nesses feedbacks. Parabéns para todo mundo que “deu a cara a tapa” aqui para a gente, acreditando que essa troca é sempre a melhor maneira de evoluir como profissional. E um parabéns especial para a Soraya, que levou o melhor trampo na opinião do júri e foi ao Top de Planejamento na faixa.

E vamos continuar a discussão que os comentários estão aí para isso. Tanto aqui quanto lá no nosso grupo do Facebook. É só pedir que a gente adiciona :]

Job #2 – Super Bowl

Para o segundo job da APSotW, a ideia é trabalharmos com algo que todo estrategista precisa dominar. E mais do que isso: nunca parar de praticar: análises. A capacidade analítica de quem trabalha com estratégia está intimamente relacionada com a qualidade da sua entrega. Porque no fim das contas, é inviável tomar qualquer decisão estratégica sem uma boa leitura da situação a nossa volta.

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Seu cliente não para de ouvir Super Bowl pra cá e Super Bowl pra lá. Acabou que ele quer conhecer os melhores comerciais que rolaram durante o evento e aproveitar para saber a opinião da agência sobre eles.

Como planner da conta, você ficou encarregado em fazer uma análise de comunicação para o cliente. Só que mais do que ir lá falar se os comerciais são legais ou não, a agência está encarando isso como uma oportunidade de mostrar para o cliente a sua capacidade analítica e o potencial de entender estratégias, questões de marca e negócio por trás do que é mostrado na comunicação das marca. 

Por conta disso, sua apresentação já começou com um título pré-definido: “Super Bowl: os filmes que você viu, as estratégias que você não viu”. 

Se você ainda não conseguiu, pode conhecer todos os comerciais que rolaram no super Bowl por aqui.

Lembre-se que não estamos atrás de saber qual foi o melhor filme ou o que ele significa para o momento atual na comunicação do mundo e bla bla bla. Estamos interessados na sua capacidade de enxergar as estratégias por trás dos filmes. Você pode [e deve] não só analisar apenas os comerciais separadamente, mas tentar buscar co-relações entre eles, seja dentro de uma categoria, um assunto ou qualquer outra coisa que seu olhar do todo conseguir enxergar.

Para fazer esse trabalho, você pode optar por um texto de Word de até 1000 palavras ou 10 slides de PowerPoint ou Keynote.

Para participar, é só mandar um email até 16/02 para jobs@planningschool-web.com.br com seu nome, idade e ocupação [se estiver trabalhando, coloque empresa e cargo também] e o arquivo com a sua resposta. Você receberá nosso feedback até dia 27/02.

A banca de avaliação desse job será composta por Daniel de Tomazo e Felipe Senise da Sandbox, André Foresti do Unplanned, e José Lucas da JWT, Paulo Vita, da Y&R e Thiago Nascimento, da Newstyle.

Mãos à obra e bom trabalho :]

O Job #2 está chegando

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Agora que está todo mundo descansado e pronto para o novo ano, a APSotW vai voltar com tudo.
Anote aí na agenda que dia 03 de fevereiro tem job novo na área, com um novo desafio e um novo juri.

Quem aí vai participar, hein?

Job#1 – Feedback Geral

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Depois de lermos tudo com muita atenção e carinho, chegou a esperada hora do feedback. O pessoal já começou a receber seus arquivos canetados individualmente, mas vai ser praxe por aqui fazer um feedback geral, com um apanhado do erros e acertos mais recorrentes nos trabalhos. Esse é um jeito de todo mundo poder aprender com o trabalho dos outros.

E já que nós pedimos um Top#5 para vocês, também vamos devolver um Top#5 das coisas que mais chamaram nossa atenção nos trabalhos de vocês. Aqui vamos nós:

 

1. HIPÓTESE TEM MAIS A VER COM O PROBLEMA DO QUE COM A SOLUÇÃO

No briefing do job, uma das primeiras coisas que a gente falava era que o propósito desse exercício era treinar um skill super importante para o estrategista: a capacidade de formular hipóteses iniciais. Isso é importante porque muitas vezes não temos nada além do nosso repertório e de poucas evidências de suporte.

Na maioria dos trabalhos, percebemos uma grande confusão entre hipóteses e estratégias. E, para facilitar, a principal diferença entre elas é que hipótese tem a ver mais com o problema e estratégia mais com a solução. Em outras palavras, hipótese é o que você acha de saída que podem ser as principais barreiras que a comunicação vai precisar superar, as oportunidades que não pode deixar de aproveitar, ou seja, aquilo que a marca vai encontrar pela frente e precisa se preparar. Estratégia são as escolhas que fazemos para enfrentar esses problemas. Pode parecer uma tecnicidade boba de gente crica, mas na prática faz muita diferença no trabalho. Notem nos exemplos abaixo, retirados aleatoriamente de alguns trabalhos de vocês:

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Nesse primeiro exemplo, foi-nos apresentado uma armadilha: considerar o produto saudável apenas porque é água. Ele tem altos níveis de açúcar e seria um enorme risco posicioná-lo como saudável. Isso é uma excelente hipótese, porque apresenta uma barreira de entrada para a marca, algo com que ela vai precisar lidar.

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Já o segundo exemplo faz claramente uma recomendação de incorporar uma postura e atitude à marca, que pode ajudá-la a se conectar com as pessoas. Independentemente se isso é bom ou ruim, o fato é que não é uma hipótese, já que não trata do problema e sim da solução.

 

2. INFORMAÇÃO E OBSERVAÇÃO SÓ TÊM VALOR QUANDO VEM ACOMPAHADAS DE PONTO DE VISTA E IMPLICAÇÃO

O segundo ponto é sobre a relação entre informação e opinião. É claro e evidente que estratégia tem tudo a ver com informação. É nossa matéria prima. Porém, apenas a informação pura e simples tem muito pouco valor. O estrategista tem por dever usar a informação como meio para construir uma análise e um ponto de vista sobre determinado assunto. Seguindo a metáfora, a matéria prima precisa passar por um processo de manufatura para virar algo que tenha valor.

Em muitos trabalhos, vimos informações serem colocadas de forma “vazia”, ou seja, sem uma opinião, sem um ponto de vista, sem uma implicação direta para a marca. E isso é um dos pontos mais críticos na nossa visão, porque essa é a essência do trabalho de estratégia. Estratégia tem muito a ver com opinião. Uma opinião estudada, educada, embasada, mas uma opinião. O valor do estrategista está na habilidade que ele tem em gerar pontos de vista e fazer escolhas a partir disso.

Notem nesses exemplos a diferença que faz uma informação colocada de forma oca e outra, da mesma natureza, recheada com opinião.

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No primeiro exemplo, vemos apenas uma descrição do tipo de produto que é Red Bull, como ele é consumido e um dos seus significados. E para por aí. Essas informações, apesar de corretas e verdadeiras, não ajudam a entender melhor o problema de Vitamin Water.

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Já no segundo exemplo, vemos um ponto de vista bem estabelecido. O pensamento coloca Red Bull como uma bebida mais associada à noite [como no primeiro exemplo], mas mostra uma implicação direta para Vitamin Water: o espaço que se abre no território de energia na medida em que Red Bull se afasta dele. Isso é uma perspectiva muito interessante que já faz com que se pense em uma possibilidade de posicionamento de mercado para a marca. Aí fica claro o valor do trabalho de estratégia.

 

3. TORNE SUAS ESCOLHAS MAIS EVIDENTES

Essa é uma frase muito repetida, mas muito verdadeira: estratégia é fazer escolhas. É ter a habilidade de avaliar uma série de cenários possíveis e apontar um caminho a ser seguido. Ou no caso desse exercício, da hipótese a ser levantada.

Além da plena consciência dessas escolhas que estamos fazendo, é importantíssimo que tenhamos o máximo de clareza possível sobre o ponto que estamos querendo construir e a conclusão que queremos chegar. E isso acabou não acontecendo em uma série de trabalhos que analisamos. Em muitos casos nós tínhamos que “pinçar” uma hipótese que estava perdida no meio de outras tantas coisas que estavam sendo ditas [e que normalmente tomavam mais tempo e eram menos importantes]. Vejam esse exemplo abaixo:

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Aqui o pensamento foi destacar como diferentes bebidas têm diferentes hábitos de consumo pelo Brasil. Mas essa observação traz consigo algo muito mais interessante que não foi explorado. O ponto aqui poderia ter sido sobre como estabelecer uma ocasião de consumo bem definida na cabeça das pessoas pode ser um fator determinante para o sucesso da marca no Brasil. Mas isso acabou se perdendo no meio de uma ideia de regionalismo, suco de fruta natural, preço justo… coisas que não têm a ver com o ponto que poderia ter sido feito, mas não foi.

Uma boa dica para melhorar nisso é sempre pensar na opinião que você quer construir em cada ponto. Depois de fazer isso, comece fazendo um título para esse ponto. Algo bem direto, no estilo manchete de jornal. Aí sim você começa a escrever o texto. Isso certamente vai ajudar a ter mais clareza sobre o ponto que se está construindo.

 

4. USE O FORMATO PARA AJUDAR A ORGANIZAR O SEU PENSAMENTO

Quando a gente propôs o formato Top#5 não foi simplesmente porque sim, por um capricho nosso ou porque somos defensores dele. Formatos de storytelling estão aí à nossa disposição, para usarmos quando e se eles nos ajudam. Mas nesse caso ajudava. Trabalhar com hipóteses é uma tarefa sempre complicada e listar os 5 principais poderia ajudar na organização desse pensamento.

Mas o que vimos na prática é que muitos trabalhos abandonaram o formato em favor de nada melhor, o que acabou produzindo uma série de pensamentos difusos, que poderiam ter ficado mais claros dentro do formato. Organização e encadeamento de raciocínios é um skill essencial para o estrategista, que tem que lidar com tantos níveis de informação e complexidade.

Outra coisa que muitos esqueceram foi de fazer a escolha entre um dos 5 pontos. E muito que faziam a escolha não a justificavam muito bem. Ess era um momento chave do exercício porque ele propunha o treinamento daquilo que, como dissemos acima, é mais essencial para o estrategista: escolher, apontar caminhos e direções.

 

5.  APOSTE TODAS AS FICHAS EM SER MAIS INTERESSANTE

Esse pode ser o ponto mais subjetivo de todos, mas é também um dos mais importantes. Existe uma armadilha constante no trabalho de estratégia que cada um de nós está sempre prestes a pisar: a armadilha do lugar comum. Muitas vezes lidamos com as mesmas informações, que podem levar às mesmas análises e escolhas. E isso acontece com muita frequência, inclusive entre muitos trabalhos que recebemos.

Mas para fugir do lugar comum, preferimos falar não sobre ele, mas sobre o contrário: sobre ser interessante. Encontramos em vários trabalhos hipóteses muito criativas, que fogem do senso comum e provam como estratégia faz toda a diferença em comunicação.

Teve gente falando sobre como diversificar canais de distribuição pode ser um fator diferenciador para a marca, dando farmácias como exemplo. Tiveram outros, como o exemplo do ponto 01 que questionaram a pecha de saudabilidade aparente de Vitamin Water considerando o caminho um tiro no pé. Outros ainda falaram sobre como esse é um produto que pode se beneficiar muito da dinâmica de pirâmide de influência, onde os formadores de opinião seriam o público prioritário.

Enfim, pensamentos muito interessantes, que fazem a gente pensar no lançamento por outros pontos de vista e demonstram todo o valor do trabalho estratégico. Well done.

 

QUAL DESSES FEEDBACKS É O MAIS IMPORTANTE?

Assim como pedimos para vocês, também escolhemos aqui qual desses 5 feedbacks é o mais importante para vocês guardarem. E é o primeiro, sobre a confusão entre hipótese e estratégia.

E a justificativa é simples: era esse skill que o exercício se propunha a treinar e é isso que a gente mais gostaria que vocês tirassem desse trabalho: hipótese tem a ver com problema, com barreiras, oportunidades, pontos de atenção etc. Pode confiar: é  a partir desse trabalho bem feito de levantamento de hipóteses e definição de problema que vocês vão chegar nas melhores estratégias.

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Feedback finalizado, agora é hora de prêmio. Rufem os tambores, a vaga na Conferência vai para… Diego Rezende, Planejador da agência Filadélfia lá de BH. Well done, my friend. Nos vemos na segunda lá na Conferência!

 

Galera, em nome do juri eu quero parabenizar não só o Diego, mas todo mundo que participou e falar que a conversa não precisa terminar aqui não. Os comentários estão aí para isso. É hora de vocês nos darem seus feedbacks :]

Quem participou da APSotW Brasil?

Ufa, terminamos de corrigir os exercícios. Deu um trabalhão, mas foi uma experiência muito legal. Conhecemos diferentes estilos de pessoas, de repertórios e jeitos de pensar estratégia. Os feedbacks começam a chegar amanhã, mas  já dá para a gente conhecer um pouco mais sobre a nossa primeira turma de alunos.

A primeira boa notícia foi sobre quantidade. Foram 49 trabalhos [descobrimos 4 trabalhos extraviados que se somaram aos 45 que anunciamos] e isso é muita coisa. Mais do que o triplo do que rola na média da APSotW gringa. O povo está animado!

A segunda coisa legal foi sobre diversidade. E diversidade em todos os aspectos:

-> Região: tivemos trabalhos vindos de 10 capitais diferentes do país;

-> Idade: teve gente super jovem com apenas 19 e gente mais madura, até os 49 anos;

-> Porte de empresa: recebemos trampos de gente de empresas enormes como Honda, JWT e AlmapBBDO. Mas também de agências super pequenas, empresas jr e até pequenas produtoras.

-> Áreas: teve gente de planejamento de agência, claro. Mas também teve gente de Marketing, de RP, de Social Media, de Atendimento, de Mídia, de Channel Planning e até de Art Buyer.

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Enfim, foi muito legal contar com tanta gente e tão diversa logo na nossa estréia. Obrigado a todos que participaram e fiquem de olho que os feedbacks estão chegando

 

Os primeiros 45 trabalhos

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Ontem terminou o prazo para entrega do Job #1 e nós recebemos 45 trabalhos. É muita coisa, amigos. Para se ter uma ideia, os assignments da APSotW gringa que mais geraram respostas tiveram 20, 20 e poucos participantes. E nem sempre é assim.

É muito legal ver gente com vontade de aprender a ponto de fazer um trabalho “só” pelo feedback. Good job.

Mas, como vocês trabalharam bastante, a gente também vai ter que trabalhar mais. O júri está até as tampas. Então, atenção para as datas:

> Até amanhã (23), os participantes devem receber um email-recibo, dizendo que o seu trabalho chegou. Se você mandou e não recebeu esse contato até o fim do dia de amanhã, manda de novo no domingo.

> O resultado final sai na quarta (27), fim do dia. Isso significa o post com o feedback geral e o nome de quem levou a vaga pra Conferência do GP na faixa.

> Entre segunda (25) e sexta (29) vamos enviar os emails com feedbacks individuais.

Qualquer pergunta, é só usar a caixa de comentários. E mais uma vez: vocês chutaram bundas. Parabéns.

Job #1 – Prazo de entrega postergado

Boa notícia, galera. Atendendo a pedidos da galera e por conta do feriadão de amanhã, resolvemos adiar a entrega do primeiro exercício da APSotW para semana que vem, dia 21/11. Assim damos chance para todo mundo que estava querendo participar.

Isso vai empurrar um pouco para frente os feedbacks também, mas não muito. A gente avisa vocês por aqui.

Agora não tem mais desculpa para participar, hein? Bora praticar.

Uma biblioteca de exercícios e feedbacks

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Um bom jeito de perceber o valor da APSotW é chafurdar em tudo o que ela já produziu. São mais de 20 exercícios e centenas de respostas e feedbacks. E tem de todo tipo: de feijão a cruzeiro marítimo, de definição de problema à estratégia cultural, de apresentação à vídeo.

Coisas que muitas vezes a gente nem se dá conta que dá pra treinar e aprimorar. Mas dá.

Além disso, a APSotW “produziu” alguns recursos extra, em especial uma boa coleção de vídeos curtos com técnicas e dicas. Aqui você pode vasculhar por tudo o que já rolou desde 2005.

Os primeiros

Ontem a APSotW foi para o ar. A recepção foi super positiva e a gente ficou feliz porque indica que as pessoas querem praticar. Boa notícia.

E, pelo jeito, querem tanto que tem gente que se empolgou e até já mandou o trabalho – um salve para os nossos primeirões Bruno Lunardon e Patricia Marrese.

Se mais alguém já quiser mandar, beleza. Mas, lembrem-se que vocês tem até o dia 15. Todos os trabalhos que a gente receber até essa data vão receber o feedback e concorrer à vaga na conferência.

O exercício e tudo o que você precisa saber está aí embaixo.