Job #5: Sobre estímulos e aquilo que não cabe em palavras

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Chegou a hora de um novo job, amigos. E dessa vez, resolvemos replicar uma proposta muito bacana que já rolou na APSotW gringa. É sobre o valor de um bom estímulo e sobre o papel do não-verbal no briefing.

O autor do exercício foi um planejador inglês chamado Andrew Hovell. Ele explica a importância do tema assim:

O assunto aqui é estímulo. Ou seja, todas aquelas conversas não-oficiais e fundamentais para ajudar a equipe criativa a dar forma ao trabalho (…) Porque não importa quão curto ou bem escrito seja um brief criativo, ainda assim são palavras. Isso não é necessariamente o melhor para criativos, que pensam com imagens, associações e metáforas. (…)

Aproximadamente 95% da comunicação humana é não-verbal: linguagem corporal, aparência, expressões faciais. É disso que as pessoas lembram e a isso que, inconscientemente, reagem. A mensagem central, que emerge da proposição, ainda importa, mas é a entrega que realmente faz diferença — como se fosse a linguagem corporal da marca.

O post original está aqui pra quem quiser saber mais. Tem bastante coisa bacana por lá. Mas tudo isso é o contexto, o que queremos praticar. O job é esse aqui:

 

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Seu trabalho é desenvolver uma visão para a The Gourmet Tea e torná-la real para a equipe criativa.

Gourmet Tea

Pense em uma apresentação de slides que funcione como um guia para uma conversa de estímulos, recheada de analogias, metáforas, imagens, vídeos (linkados do YouTube). Algo que poderia ser usado num papo sobre o brief, mas também uma fonte de referências durante o desenvolvimento do trabalho.

O que você precisa saber sobre The Gourmet Tea é que essa é uma marca premium de chá que procura ampliar a cultura do brasileiro sobre chá. Em um mercado onde o café reina, eles estão tentando com design, experiências legais no PDV e produtos bacanas fazer com que as pessoas tenham uma relação um pouco mais sofisticada com o chá. Diversidade e variedade são coisas importantes aqui.

Não se preocupe muito com os objetivos de curto prazo da marca. Imagine que a tarefa final da agência de vocês é desenvolver uma campanha institucional para que mais gente conheça a marca e entenda como ela é bacana. O que você precisa fazer agora é ajudar a criação a entender e traduzir essa marca. A ideia é criar uma coisa interessante, que inspire, que soe correto para você.

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Uma referência para tornar a entrega final mais concreta é esse brand book de Honda, feito pela W+K de Londres há uns 10 anos atrás. Ele é até (bem) mais elaborado do que a expectativa aqui, pois já mistura um esforço criativo. Mas o clima é justamente esse. A diferença é que você vão trabalhar mais com referências.

Para participar é só se inscrever aqui e enviar até dia 17/05 um PDF com até 15 slides para o email jobs@planningschool-web.com.br.

Os dois melhores trabalhos vão na faixa ao Top de Planejamento, que rola dia 21/05, no Hotel Pulmann.

Divirtam-se!

Job #4 – Feedback Geral

Muitos trabalhos, muitos feedback, muitos acertos, muitos erros. Assim foi o job #4 da APSotW.

Para dar um feedback geral para a galera, tentei selecionar aqui pedaços de trabalhos que podem nos ensinar bastante coisa sobre essa coisa de brief criativo. Tiveram muitos erros relacionados ao post que escrevi para ajudar no trampo. Então, preferi ir em cima de três coisas que não estavam lá e complementam bem o aprendizado.

Vamo nessa?

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1. CLIENTE x AGÊNCIA

Existe uma confusão generalizada sobre os limites entre o brief do cliente e da agência. Não tenho a pretensão aqui de colocar uma pedra sobre o assunto, mas tentar clarear um pouco as coisas não faz mal pra ninguém. Em linhas gerais, a grande diferença é que brief do cliente é sobre mercado e brief de agência é sobre comunicação.

“Falou o Capitão Óbvio”, você deve estar pensando. Sim, realmente é óbvio, mas o problema é que na prática esses limites quase nunca são respeitados.

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No exemplo acima isso fica bem claro. Os objetivos aqui nesse brief são absolutamente todos de mercado. A comunicação não pode resolver nenhum desses problemas. A comunicação pode influenciar em algum tipo de comportamento ou percepção que influenciem as pessoas a doarem. Quais comportamentos são esses? Onde estão as barreiras para a doação? Esses sim seriam os desafios da comunicação e que deveriam estar em um brief criativo.

Obviamente, um planejador pode e deve se meter em questões de negócio. Mas em um brief criativo isso precisa desembocar de alguma maneira em comunicação. Afinal, é para isso que estamos aqui, certo? :]

 

2. ACERTANDO O TARGET

Definir público é certamente uma das tarefas mais fundamentais de um brief. Quem vai criar precisa conseguir visualizar a pessoas para quem ele vai comunicar. E muitas vezes deixamos a desejar nesse aspecto.

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Esse dois acima são erros bem comuns. De um lado, você simplesmente caracteriza o target demograficamente. De outro, você simplesmente não faz isso e dá uma descrição genérica relacionada ao problema. As duas coisas são importantes e precisam estar no brief. Mas não são o suficiente.

Nesse momento do brief precisamos nos aprofundar um pouco mais na pessoa que vai receber essa comunicação. Nesse caso, essa dose de profundidade está em responder perguntas como “quais as características dessa pessoa que fazem com que ela não faça doações para ONGs?”. Porque nesse tipo de pergunta você começa a traçar um perfil psicológico das pessoas e ajudar o criativo a entender que botões ele precisa apertar na campanha. As melhores definições de target são sempre aquelas que ajudam a entender o problema, do ponto de vista das pessoas.

Um cuidado importante: não exagerar para outro lado. É comum também ver briefs em que se descreve até a cor da cueca que o sujeito usa, sendo que nada disso tem relação direta com o problema que estamos enfrentando.

 

3. INSIGHT PRA QUE TE QUERO

Quando eu fiz o post para ajudar a galera a escrever o brief, o amigo Ricardo Chester me perguntou: “mas e o insight?”. Respondi que a ideia do post era dar dicas de mais conceituais sobre como escrever brief e tal. Mas, no fundo, ele está coberto de razão. Um brief precisa muito de um insight. Uma obervação interessante – sobre o problema, as pessoas, o mercado – que tenha o poder de mobilizar as pessoas na direção que precisamos.

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Comparando esses dois exemplos, acho que fica claro o ponto. De um lado, vemos um insight um pouco mais genérico, uma analogia comum entre o campeão que o Senna era e o campeão que você pode ser doando. De outro, temos uma perspectiva diferente sobre a doação: as pessoas querem se aparecer e o ato de doar tende a ser muito reservado. Se elas perceberem que podem ter ganho de reputação com isso, talvez elas passem a doar mais. Esse é um jeito incomum de olhar para essa questão, o que faz com que o insight seja muito mais interessante.

Um bom brief deve perseguir esse insight. É nosso papel chegar nele, para que a bola chegue redonda na criação e nosso trampo seja realmente útil.

 

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Bom, galera, é isso. Foi muito legal esse primeiro ano de APSotW Brasil e ano que vem com certeza tem mais.

Bom 2015 pra geral.

 

 

Brief criativo: o que importa?

Se tem um assunto que se encaixa na metáfora do copo meio cheio/vazio é o brief criativo.

O copo meio cheio nos diz que o brief representa a síntese do pensamento estratégico gerado na agência, pronto para se transformar em uma [potencialmente] boa execução.

Já o copo meio vazio nos apresenta ao triste ponto de vista de que o brief é apenas um formulário contendo as informações do que é preciso ser feito por quem vai criar a campanha.

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Infelizmente, parece que o copo tem ficado cada vez mais vazio. E o “infelizmente” aqui não é pelo apego a escrever com esmero um documento. A banalização do brief na verdade é só uma das atitudes que revela a falta de cuidado e “crafting” do processo estratégico como um todo.

Mas nós somos otimistas inveterados e vamos gastar alguns parágrafos aqui falando sobre alguns princípios de um bom brief criativo e, por consequência, de um processo de planejamento estratégico.

E a primeira coisa importante tem a ver com formato. Existem basicamente zilhões deles. Cada agência tem o seu e é bem comum que ele mude com a chegada de um novo head. E isso acontece porque no fundo o formato do brief revela um pouco da maneira com as pessoas e agências enxergam a comunicação. Por trás dos melhores formatos de brief existe uma “filosofia” de trabalho.

Um exemplo bacana é o brief criativo da CP+B, que tem um formato de release. Isso porque eles encaram a comunicação das marcas como algo que precisa ter relevância nos meios de comunicação de massa, na imprensa.

Porém, independentemente do formato, um brief não vai escapar de responder as perguntas primordiais:

-> Por que fazer comunicação?

-> Como vamos resolver o problema?

-> Quem queremos atingir?

-> O que a comunicação tem que dizer?

Cada um vai chamar essas perguntas de um jeito diferente, com mais elementos ou menos elementos. Aí entra a tal da filosofia. Existem vários princípios fundamentais sobre brief, mas eu vou falar aqui de dois que já resolvem grande parte dos problemas:

 

1. O imperativo da escolha

Diante de uma realidade de necessidades infinitas e recursos limitados, o processo estratégico tem muito a ver com fazer escolhas, para tornar a comunicação mais eficiente.

Imagine que você provocar determinado efeito em determinada audiência. Seu recurso pode se limitar a apenas 30″. Para piorar, o recurso da atenção das pessoas também é escasso. Normalmente temos muito pouco dele disponível.

Em um cenário como esse, é imperativo que haja uma escolha muito clara do problema que a comunicação está tentando resolver, o que é preciso ser dito, para que tipo de pessoa, com qual expectativa de reação. Se essas escolhas não estiverem absolutamente sólidas, a chance de fracasso é enorme.

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Se estratégia de comunicação funciona assim ,com esse nível de assertividade, por que vemos tantos e tantos briefs quilométricos, querendo resolver todos os problemas do cliente de uma vez, com uma cacetada de objetivos, um target super amplo e uma mensagem, para falar o mínimo, vaga?

Um bom brief criativo demanda clareza e assertividade sobre as escolhas estratégicas. E mais: demanda que essas escolhas sejam factíveis, ou seja, que a comunicação realmente tenha capacidade de resolver o problema proposto.

Porque o que mais se vê por aí é brief pedindo para a criação desenvolver uma campanha que converta corinthianos em palmeirenses. Isso demonstra tanto uma falta de consciência sobre os limites da comunicação como uma falta de empatia com quem está do outro lado do balcão e vai receber uma tarefa simplesmente impossível de ser realizada.

Clareza nas escolhas, consciência dos limites.

 

2. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra

Existe um pequena celeuma sobre o quanto um brief deve ser aberto – para dar liberdade criativa a quem vai executar – ou fechado, com uma definição bem específica sobre como deve ser a comunicação.

É óbvio que vou recomendar o meio termo, mas é importante entender por quê.

Michelângelo dizia que a arte vive na limitação e morre na liberdade. Se tem uma coisa que eu não sou é artista, mas consigo entender o drama de quem precisa criar algo que pode ser… qualquer coisa.

Imagine se o planner tivesse falado para ele: “Ae, Michelângelo, pinta aí o teto da Capela Sistina. Vlw, flws.” Seria um tanto desesperador.

Por outro lado, imagine se ele tivesse falado o seguinte: “Ae, Michelângelo, pinta aí o teto da Capela Sistina, com um traço igual do Da Vinci, mostrando bastante santo e elementos da igreja católica. Vlw, flws.”

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Isso seria um desperdício enorme do potencial criativo do artista. E é exatamente isso que um brief muito fechado faz com uma dupla de criação: mede o potencial do job pela criatividade do planner. Pode até ficar bom, mas nunca vai ser tudo o que poderia.

Talvez o bom brief nesse caso teria sido: “Ae, Michelângelo, pinta aí o teto da Capela Sistina mostrando para os fiéis o amor de Deus por seus filhos. Vlw, flws.”.

Ta aí: um frame, uma escolha clara,  factível e que abre muitos possíveis caminhos de execução.

 

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Uma dica final é sobre linguagem. Sim, isso importa. Ninguém do outro lado do balcão gosta de ler um texto gigante, de três páginas, com linguagem formal, cheio de termos em marketês. Já dá um bode de cara e a chance do cara nem ler é gigante.

Em resumo, não seja prolixo, vá direto ao ponto e escreva como se você estivesse conversando com o cara. Acredite, isso faz uma diferença enorme.

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Falando em prolixidade, melhor parar por aqui :P

Vida longa e próspera ao brief criativo e bom trampo pra vocês.

 

Job#4: O brief da educação

Demorou, mas chegou o job #4 da APSotW.

E veio com um desafio cotidiano na vida de um estrategista de comunicação: o popular brief criativo. Talvez por ser tão simples e corriqueiro é que é tão difícil de se ver um brief bem feito de verdade. Dá impressão que ele virou só um formulário, com suas caixinhas em branco – prontas para ser preenchidas com pensamentos desconexos – e não a síntese de um pensamento estratégico que vai virar execução.

 

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Sua agência trabalha para o Instituto Ayrton Senna, respeitada instituição sem fins lucrativos que luta por uma educação pública de mais qualidade no Brasil.

Por todo o prestígio da família Senna e do trabalho de excelente qualidade que o Instituto realiza, ele conquistou muitos parceiros ao longo dos anos. Muitas empresas contribuem financeiramente para a ONG, seja em forma de parceria, licenciamento ou mesmo doação.

Porém, essa mesma contribuição não acontece tão intensamente entre pessoas físicas, que tem uma taxa de contribuição muito baixa para o Instituto.

Enxergando potencial de crescimento de receita por essa via, o Instituto que abordar o público PF na sua próxima grande campanha de mídia.

Você como estrategista da conta deve bolar uma estratégia de comunicação e escrevê-la no formato de um brief para a criação executar a campanha.

Para fazer esse trabalho, você deve escrever um texto de no máximo 400 palavras. Não temos um formato de brief preferido, você está livre para escolher o que achar melhor. Se achar que não precisa de formato e que você consegue explicar tudo para a criação em um texto corrido, tudo bem pela gente também.

Para participar, é só mandar um email até 23/11 para jobs@planningschool-web.com.br com seu nome, idade e ocupação [se estiver trabalhando, coloque empresa e cargo também] e o arquivo do seu trabalho em anexo.

Assim como no ano passado, em parceria com o GP, conseguimos um prêmio especial para o melhor trabalho: uma vaga na faixa para a Conferência do GP, que acontece dia 01/12 no WTC. É a chance de mostrar trabalho, receber um feedback e ainda participar do evento mais importante do ano com tudo pago.

Valendo!

Job #3 – Feedback Geral

A Mundial só começa amanhã, mas o feedback geral do job da Copa já chegou hoje (antes de muito estádio por aí, veja você). É hora de aprender algo com o que todos fizeram.

O enunciado propunha um problema e pedia uma solução. Mais especificamente, um posicionamento para o turismo do Brasil. Algo que pudesse inspirar um grande trabalho de comunicação que deveria ter rolado usando a Copa como “mídia”.

Recebemos muita coisa interessante. Por isso, o fio da meada desse post vai ser aquilo que os trabalhos mostraram de melhor. Acertos que ajudam a entender o que faz um bom trabalho de posicionamento. Enjoy.

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Acerto #1
Quando o posicionamento representou uma escolha clara.

Uma das coisas que a gente mais enfatizou durante o processo desse job foi a necessidade de se fazer uma escolha bem definida. Muitos trabalhos demostraram isso. Em alguns casos, melhor ainda: ficou claro também do que se estava abrindo mão em favor da opção feita na estratégia.

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Se estratégia é fazer escolhas, isso também significa que estratégia é fazer renúncias. Quanto mais consciência do que a gente está escolhendo e do que estamos abrindo mão, melhor: mais chance de fazer boas escolhas. E um bom posicionamento só existe se houver uma boa escolha primeiro.

Nem todos os trabalhos fizeram isso. O Brasil é enorme, diverso e cheio de coisa bacana. Tentar “resumir” ou “sintetizar” essa grandeza é uma armadilha. A impressão que fica é que foi isso o que rolou em muitos casos.

Não dá pra abraçar o mundo. É preciso encontrar um ângulo, uma perspectiva nova. O que nos leva ao próximo acerto.
Acerto #2
Quando o posicionamento propôs uma nova perspectiva.

A definição do problema continha uma sutileza: o que já está na cabeça das pessoas sobre o Brasil não tem sido suficiente para fazer com que elas visitem o país. É preciso mostrar algo que faça as pessoas enxergarem esse país de modo diferente do que elas fazem hoje.

Alguns trabalhos entenderam isso. Em geral, foram aqueles que olharam não só para o Brasil como “destino”, mas para a o povo brasileiro. Como se as pessoas daqui fossem capazes de promover uma experiência única, que valesse a viagem.

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Importante: isso não quer dizer que “olhar para o povo” era a solução mágica. Alguns trabalhos fizeram isso sem necessariamente oferecer uma nova perspectiva. E acredito que haviam outros caminhos possíveis.

(Por exemplo: ninguém fez uma escolha mais radical em termos de destinos. O Brasil é um continente inteiro de lugares pra ir. É coisa demais pra falar. Seria legítimo deixar uma parte deles de fora. Algo como trabalhar só a costa ou grandes cidades. Por que não?)

Muitos trabalhos falaram sobre o clichê samba-praia-futebol, mas nem todos eles devolveram algo diferente disso. Quer dizer: a articulação, o jeito de falar podia até ser diferente. Mas não havia um outro valor a ser explorado. O que nos leva ao terceiro e último acerto que vamos destacar nesse feedback.
Acerto #3
Quando o posicionamento demonstrou ter valor.

Não é fácil perceber se a ideia que estamos propondo “chegou lá” ou ainda precisa ser lapidada. Experiência faz toda a diferença. Mas é importante treinar esse olhar desde os primeiros passos na carreira.

Isso tem muito a ver com aprender a se fazer as perguntas certas. Um dos trabalhos deu um bom exemplo disso:

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“Por que isso é importante?” é uma excelente pergunta. É como se nos questionássemos qual é o valor real da ideia que estamos propondo. E independentemente da resposta ou desse exemplo especificamente, essa postura é capaz de nos empurrar pra frente. É esse tipo de rigor que desenvolve o nosso critério para estratégia.

Muitos trabalhos usaram o modelo de “verdadeiro, relevante e diferenciado”, que propusemos em um dos posts nesse processo. É um bom jeito de refletir sobre critério. Mas, para que essas 3 perguntas façam sentido, é preciso ter a postura da parágrafo aí de cima. E em alguns trabalhos, isso acabou virando só um checklist. Em outros, foi uma verdadeira reflexão.

Quanto mais rigorosos a gente for com as nossas ideias, maiores as chances de criar posicionamentos realmente importantes.

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Pra terminar, a gente recebeu uma mensagem que traduz exatamente coisa mais legal dessa história toda, que é ver o entusiasmo dos participantes em aprender e se aprimorar:

Fiquei feliz com o feedback do Job 3. Foi realmente desafiador, e pensei várias vezes que não iria conseguir chegar à uma proposta de posicionamento interessante. Mas persisti até encontrar algum caminho. (…) É melhor fazer do que tentar. Mesmo se não tiver fluindo, insista, faça. Você só vai aprender se fizer.

- Alex Takehissa

Em nome do júri, saibam que é muito bom participar dessa caminhada com vocês.

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Dessa vez não teve prêmio, mas teve o melhor trabalho: parabéns, Jessica Nakazima!

No segundo semestre tem mais. É só ficar esperto no nosso grupo no Facebook.

Pra cima deles, Brasil!

Job #3: feedbackers, formato e um pouco mais de housekeeping

 

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Falta pouco mais de uma semana para a entrega dos jobs. Vamos aproveitar para organizar a casa.

Primeiro, teremos convidados bem bacanas como feedbackers: André Troster e Gustavo Leite, diretores de estratégia da Loducca e JWT, respectivamente. São eles — além do André Foresti (Unplanned), do Felipe Senise e de mim (Sandbox) — que vão ler e preparar um feedback personalizado para cada participante.

Outra coisa importante, o formato de entrega: pode ser um texto de até 1000 (Word) ou um deck com até 10 slides (PowerPoint ou Keynote).

Finalmente, todos os trabalhos devem ser enviados para jobs@planningschool-web.com.br

Bom trabalho e, dúvidas aparecendo, é só usar a caixa de comentários.

 

20 centavos sobre posicionamento

Não é segredo para ninguém: o trabalho de posicionamento é o filet mignon do planejador. É aquele job que todo mundo pega com carinho, pede prazo, quer fazer bonito. E não é para menos. Um bom trabalho de posicionamento pode fazer toda a diferença na história de uma marca. É isso que todo mundo quer.

Só que para fazer isso bem, é importante entender bem o que significa. E é por isso que escolhemos esse assunto para o Job#3 e fizemos esse post, para dar algumas definições, conceitos e dicas.

 

1. UMA DEFINIÇÃO SIMPLES: A BATALHA PELA SUA MENTE

Talvez a definição mais direta e simples de entender sobre posicionamento tenha sido feita pela dupla Al Ries e Jack Trout [sim, aqueles dos livros da faculdade]. O próprio título do livro já dá uma dia boa: “Positioning: the battle for your mind”. Numa paráfrase livre, eles dizem no livro que posicionamento é a posição relativa que a sua marca ocupa na cabeça das pessoas.

Uai, relativa a quê? Relativa a seus competidores.

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A teoria deles é que diferentes marcas ocupam posições na cabeça das pessoas dentro de um mesmo assunto. Tem a marca de A de desodorante, que protege mais, a B que é mais cheirosa e a C que é mais barata. Não necessariamente essas marcas A, B e C quiseram conscientemente se posicionar assim. Talvez suas mensagens não tenham nada a ver com isso. Mas se na cbeça das pessoas elas são percebidas assim, esse é o posicionamento delas.

E, se pensarmos bem, esse conceito não se restringe apenas a marcas. Pense nas suas relações de amizade. Qual posição será que você ocupa na cabeça da maioria deles? O wingman para cair balada? O bem-sucedido que eles ligam para pedir um conselho profissional? O nerd que eles pedem socorro quando dá pau no computador?

Claro que pessoas não são apenas isso e que estamos fazendo uma grande simplificação estereotipada aqui. Mas, na prática, pessoas, coisas, marcas ou o que quer que seja, são de alguma maneira compartimentadas na nossa cabeça em espécies de “territórios”. E, no fim das contas, nossa mente simplifica mesmo, não tem jeito. Ainda mais em um tipo de coisa mais “desimportante” como marca. A boa notícia é que nós podemos atuar e moldar essas percepções. Um bom trabalho de estratégia e posicionamento faz exatamente isso.

 

2. UM RISCO: O MEIO TERMO

Se um dos maiores desafios do trabalho de posicionamento é conseguir ocupar uma posição clara na cabeça das pessoas, um dos maiores riscos é ficar no meio do caminho. Quando a escolha de posicionamento é “morna” e não aponta uma direção clara, a chance de não ocupar espaço algum na cabeça das pessoas é grande. Ou, ainda que ocupe, será um espaço pouco relevante.

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Isso acontece normalmente quando a marca ou tenta falar com todo mundo, ou tenta falar de mais de um assunto na comunicação, ou busca um meio termo de assuntos para não “desagradar” ninguém.

Enfim todo tipo de decisão em cima do muro, que tenta acomodar muitas variáveis, tende a cair em um posicionamento frágil, que não tem o poder de ocupar um espaço bem definido em relação aos concorrentes na cabeça do sujeito.

 

Se você quer fazer um bom [e útil] trabalho de posicionamento, corra do meio termo como o diabo corre da cruz. Faça escolhas bem definidas, tenha a coragem de apontar caminhos e, pelamor, não suba no muro.

 

3. UMA DICA PRÁTICA: VERDADEIRO, RELEVANTE E DIFERENCIADO

No caso do nosso exercício, estamos tentando construir um posicionamento para um destino turístico. E o processo de pensamento não difere em absolutamente nada ao que faríamos com uma marca. Nesse caso, precisamos fazer o Brasil ocupar um lugar específico na cabeça de um gringo. A ideia é que na hora que ele for pensar em viajar, o Brasil tenha o seu lugar na cesta de opções.

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Na hora de definir isso, precisamos caminhar pelas perguntas corretas, que são basicamente 3:

- É verdadeiro? Pela sua própria natureza/vocação, quais são as possibilidades de posicionamento que o Brasil pode ter? Afinal, não adianta nada encontrar um super posicionamento legal se o produto não entrega. A primeira etapa a cumprir

- É relevante? De todas essas coisas que o Brasil pode significar em termos de turismo, qual delas é a mais relevante para fazer o turista escolher? Também não adianta nada ter algo super verdadeiro para o país, mas que ninguém se importa.

- É diferenciado? De tudo o que o Brasil pode significar e que tenha alguma relevância para os turistas, qual delas ainda não está ocupada por ninguém? Algum outro país já ocupa essa posição de um jeito muito forte? Não vale a pena entrar numa briga por uma posição que já é ocupada de forma muito sólida por algum outro competidor

Se você for capaz de responder essas 3 perguntas com assertividade, a chance de ter um bom posicionamento nas mãos é enorme.

 

4. REDATOR OU ESTRATEGISTA?

A última dica é curtinha, mas bem importante. E é sobre uma tara.

Assim como diretor de arte quer ser “artista” e redator quer ser roteirista, planejador é um bicho doido para ser redator. Aquelas frases lindas, cheia de efeito, significado… ah, que maravilha. E o trabalho de posicionamento é um dos ambientes em que essa tara da punchline fica ainda mais evidente.  Afinal, é a hora de colocar no papel tudo aquilo que a marca quer ser, a visão, o sonho, a grande questão da vida, do universo e tudo mais.

PORÉM, muitas vezes essa ânsia de fazer uma frase perfeita atrapalha demais na qualidade do posicionamento proposto. Porque é natural irmos nos perdendo aos poucos na maluquice da frase e esquecendo da ideia que precisa ser passada.Lembrem que o posicionamento acaba se reduzindo a quase nada na cabeça das pessoas. A uma palavra muitas vezes. Então, é muito, mas muito mais importante ter clareza desse residual na cabeça das pessoas do que deixar a frase bonita.

Prefira sempre uma frase com uma ideia cristalina do que uma frase de efeito. Essa frase não será veiculada. Ela só precisa dar a direção exata para o lado que todo mundo deve remar.  Em outras palavras, faça o que você faz de melhor: planejar, não criar.

Agora, se você conseguir fazer sua frase ser clara como as águas do Caribe e bonito como ele é, por que não, né?

 

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Bom, esses foram nossos 20 centavos sobre o assunto. Alguém pensa diferente? Tem algum ponto para levantar? Alguma dúvida?

Os comentários estão aí exatamente para isso. Bom trabalho proceis :]

 

Job #3 – Mais prazo

A vida é boa. Vocês acabam de ganhar mais prazo para fazer o job #3. Exatamente 10 dias.

O novo prazo é dia 16/05, sexta-feira. Agora não tem desculpa mesmo para não fazer.

Mãos à obra.